Bolsonaro volta a atacar signatários de manifesto por democracia: ‘cartinha’

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Eduardo Gayer - Ao discursar em culto evangélico no auditório da Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, voltou a atacar signatários dos manifestos articulados em defesa da democracia. Para o chefe do Executivo, quem assinou o que chamou de “cartinha” não tomou posição nas restrições sanitárias impostas por governadores no auge da pandemia de covid-19.

"Vocês todos sentiram um pouco do que é ditadura. E nenhum daqueles que assinam cartinha por aí se manifestaram naquele momento”, afirmou o presidente, que critica as medidas de contenção do coronavírus por seus impactos econômicos.

Na verdade, empresários, banqueiros e juristas - grupo que hoje assina manifesto pela democracia - se pronunciaram publicamente na pandemia, embora não na mesma “trincheira” de Bolsonaro. Em 2021, cerca de 500 representantes desses setores encaminharam ao governo federal carta com cobranças por posturas mais enérgicas no combate à pandemia.

Terça (2), Bolsonaro afirmou que não precisa assinar o manifesto pela democracia organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O documento foi articulado em meio aos ataques sem provas do chefe do Executivo sobre o sistema eleitoral brasileiro. A Faculdade de Direito de São Paulo recolhe assinaturas de manifesto de teor semelhante.

No discurso nessa quarta (3), Bolsonaro lembrou que se aproximou da bancada evangélica ainda enquanto parlamentar por suas posições contrárias ao que chama de “ideologia de gênero”. “Todo dia quando me levanto, me concentro, agradeço pela missão e peço a Deus que meu povo, nosso povo não sinta as dores do comunismo”, declarou, sob aplausos de deputados e senadores evangélicos. “Na economia Brasil vai muito bem, mas não podemos esquecer o lado espiritual”, defendeu, de olho no processo eleitoral.

O chefe do Executivo costuma associar seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a um suposto retrocesso na agenda conservadora. “Nós somos a maioria, somos do bem e tenho certeza que venceremos essa batalha. Não por mim nem por vocês, mas pelos nossos filhos”, disse o presidente no culto. “Devo muito aos médicos, mas muitos deles me dizem que quem me salvou em Juiz de Fora em 2018 foi a mão de Deus”, seguiu, em referência ao episódio da facada.

Ministros do governo e parlamentares da “bancada da Bíblia” marcam presença na cerimônia organizada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder dos evangélicos no Congresso Nacional, e presidida pelo pastor Cláudio Duarte. O ato religioso acontece semanalmente na Câmara.

Ao reservar a agenda para o culto, Bolsonaro, que é católico, busca fidelizar o eleitorado evangélico que tem sido procurado por seu principal adversário político na disputa pelo Palácio do Planalto, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, conselheiros políticos do presidente têm orientado uma expansão na base de apoio, em direção ao Centro político, considerado fiel da balança de qualquer eleição.

O novo aceno aos evangélicos vem diante de um estremecimento na relação do governo com o segmento, após Bolsonaro escolher o deputado Marcos Pontes (PL-SP) para concorrer a senador em São Paulo na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a governador. Como revelou o Broadcast Político, Sóstenes Cavalcante considerou a decisão um erro. O nome preferido da bancada da Bíblia era o deputado Marco Feliciano (PL-SP), que é pastor.

A opção por rifar a ex-ministra Damares Alves (Republicanos) na corrida ao senado no DF em favor da ex-ministra Flávia Arruda (PL), ligada ao Centrão, também “desceu quadrado” entre os evangélicos.

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