Bolsonaro 'joga com a plateia' e diz que defende CPI para investigar membros da Petrobras

A empresa informou que a equipe de Bolsonaro não aceitou conceder um subsídio para a estatal e para importadores privados trazerem o diesel mais caro no exterior e vendê-lo com um valor mais baixo no Brasil

Foto: Reuters/Adriano Machado
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Nessa sexta-feira (17), após o anúncio do reajuste dos preços dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, seus diretores e o conselho administrativo e fiscal da estatal

"Eu conversei agora há pouco, há poucos minutos, com [presidente da Câmara] Arthur Lira [PP], que está nesse momento reunindo com líderes partidários, e a ideia nossa é propor uma CPI a investigarmos o presidente da Petrobras, os seus diretores e também o conselho administrativo em fiscal, porque nós queremos saber se tem algo errado nessa conduta deles, porque é inconcebível se conceder um Brasil com combustível lá em cima e com os lucros exorbitantes que a Petrobras está dando", afirmou o presidente, sem corar a face.

Para ele, o novo reajuste de combustível é uma "traição para com o povo brasileiro".

 

 

"O presidente da Petrobras os diretores e seu conselho traíram o povo brasileiro. O lucro da Petrobras é uma coisa que ninguém consegue entender. Algo estúpido [...]. A Petrobras pra você ter uma ideia, só no primeiro trimestre desse ano lucrou R$ 44 bilhões e você tem que reduzir sua margem de lucro porque está previsto nas leis estatais e ela tem que ter um sim social e ela não se preocupa com o social, se preocupa apenas com o Lula", declarou, 'mordido' por perder para o petista em todas as pesquisas.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), também nessa sexta-feira (17), sem ser provocado, ou seja, de ofício (pode isso, Arnaldo?),  determinou que a Petrobras explique, em um prazo de cinco dias, quais são os critérios adotados para reajustar os preços dos combustíveis. 

De acordo com "O Globo", Mendonça mandou que a petrolífera preste "minuciosas informações" a respeito dos critérios adotados para a política de preços estabelecida nos últimos 60 meses, mediante o envio de cópia de toda documentação (relatórios, atas, gravações em áudio ou vídeo de deliberações etc.) que subsidiou suas decisões de reajuste neste período pelo acionista controlador, o Conselho de Administração, a diretoria e/ou a assembleia-geral.

"No tocante à Constituição, a empresa deve atentar, dentre outros, (i) para o princípio da transparência; (ii) para os princípios gerais da atividade econômica, cuja sistemática busca conciliar a livre iniciativa com a função social da propriedade e a defesa do consumidor; bem como (iii) para o atendimento aos imperativos da segurança nacional, ao relevante interesse coletivo e sua função social", afirmou Mendonça no pedido feito à empresa, repetindo vício de linguagem do seu "mito" do Planalto.

No reajuste anunciado pela estatal, gasolina e diesel vendidos para distribuidoras subiram 5,18% e 14,26%, respectivamente. Em justificativa, a Petrobras explica que o mercado global de energia está atualmente em "situação desafiadora", por conta da recuperação da economia mundial e o conflito na Ucrânia.

A empresa ainda informou que a equipe de Bolsonaro não aceitou conceder um subsídio para a estatal e para importadores privados trazerem o diesel mais caro no exterior e vendê-lo com um valor mais baixo no Brasil. (com agência Sputnik Brasil)

RETIFICAÇÃO, 12H50: O ministro André Mendonça não agiu de ofício, mas a pedido da União - o que é quase a mesma coisa.

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