Resista, Brasil. Falta pouco

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Divulgada na última quinta-feira (26), a pesquisa DataFolha de intenção de voto para a Presidência da República aponta a possibilidade concreta do país encerrar o pesadelo em que está mergulhado já no primeiro turno da disputa.

Lula, a esperança de o Brasil retomar a sua caminhada civilizatória, tem 48% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos, somados, ficam nos 40%. Considerando-se os votos válidos, excluídos brancos e nulos, Lula venceria no primeiro turno, com 53%.

Esse resultado da pesquisa não surpreende ninguém. Nas ruas, nas redes sociais, nos encontros com a família e os amigos ou na fila do caixa do supermercado, o que se ouve é o eco do mal-estar sufocante com a destruição das condições mínimas para se viver em paz no Brasil.

Estar submetido a um governo como o de Bolsonaro é permanentemente tentar esquivar-se da saraivada de violências que nos atingem coletiva e individualmente, de todas as direções.

Somos um país asfixiado pela fome — nunca é demais lembrar que metade da população não tem certeza de quando ou como fará a próxima refeição —, torturado pelo desemprego, ameaçado diuturnamente com a retirada de mais um pedaço de nossa carne já tão pouca—da Petrobrás à Universidade Pública.

Se já é duro, para os que ainda comem regularmente e moram sob um teto minimamente estruturado, a carnificina promovida pelo governo e seus acólitos vai muito além do sentido figurado para os que passam frio nas ruas, para os que vivem em áreas precárias e para os que carregam na pele a “cor da suspeita”.

Nesta semana, que encerramos com a esperança concreta de deixar esse tempo obscuro para trás, nos estarrecemos, mais uma vez, com o descaramento dos que acham que a maré não vira.
Na terça-feira (24), forças policiais entraram na comunidade da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, deixando para trás o contumaz rastro de mortos — desta vez, 25, a segunda chacina mais letal na história da cidade — e o cinismo das explicações de sempre.

No dia seguinte, integrantes da Polícia Rodoviária Federal mataram Genivaldo de Jesus Santos por asfixia, liberando gás lacrimogêneo no interior da viatura onde o trancafiaram, em Umbaúba, Sergipe.
Não há como escapar da sufocação. Mesmo quem vive a quilômetros — geográficos e simbólicos — da Vila Cruzeiro ou da vulnerabilidade social de Genivaldo compartilha a náusea de saber que essas foram ações de agentes do Estado, concursados, empossados e remunerados em nome de cada um de nós.
O Brasil não é um país de sociopatas. Não vamos mais permitir que um governo degenerado, capaz de elogiar as ações na Vila Cruzeiro, continue a cevar esse clima de extermínio.

Como a imensa maioria dos brasileiros, essa barbárie sem freio me deixa acabrunhado. Mas é preciso perseverar: resista, Brasil, falta pouco. A esperança vai vencer a sede de sangue.

Jean Paul Prates é senador (PT/RN)

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