Sistema nervoso

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Explicação mais sensata sobre nossa vida mental diria que aspectos mais simples e façanhas mais extraordinárias são subprodutos parciais de um sistema nervoso.

                                                                                        António Damásio (2018)

 

Moldar diretamente o futuro da humanidade por mudanças nas decisões que orientam o padrão diário da vida - a democracia do consumo -, é uma ideia difundida pela mídia hoje. Como compreender em profundidade a extensão das políticas de linhas de produção sem levar na devida consideração o valor democrático atribuído hoje à individualização dos gostos?

Longe de aparecer como um vetor de reprodução das diferenças sociais, o impulso do consumo de massa permitiu, mais do que qualquer outro fenômeno, prosseguir a trajetória de conquista da autonomia individual. Já não gostamos das coisas por elas mesmas, ou pelo estatuto social que conferem, mas pelos serviços que prestam, pelo prazer que tiramos delas.

Os indivíduos habituados à simples ética do consumo estão poucos inclinados a renunciar às vantagens adquiridas, a ver baixar seu nível de vida. Sendo assim, o consumo tem como tendência a indiferença pelo bem público, a prioridade atribuída ao presente sobre o futuro. Cabe à instância política gerir a natureza contraditória dos efeitos do consumo moderno.

Na vida cotidiana, é grande a diferença entre o sentido que damos a uma situação e a maneira como a vivemos. Hoje, concretamente, o sentido das nossas condutas não pode estar contido nos sistemas de organização, decisão e ação. Ao seguir numa direção oposta, podemos encontrar o sentido dos comportamentos e situações, ao arrepio de um frenesi de consumo.

Onde o desenvolvimento da ciência e da tecnologia atingiu formas mais avançadas, nota-se a sobrevivência de valores estranhos ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Valores éticos desempenham papel central no sistema de valores da cultura, pois que eles determinam modelos de comportamento, princípios de escolha, critérios de apreciação e motivações.

A ação simplesmente adaptativa, que se esforça por conformar-se com a lei natural, é substituída pela ação prospectiva, que se fixa previamente objetivos e ordena próprios meios. O ideal da ação racional é uma forma de ação tornada autônoma em relação aos próprios condicionamentos, organizando-se inteiramente em função de projetos conscientes e voluntários.

Projetar essas informações em sistemas que integram o universo da organização. Para que a organização seja eficaz, os sistemas devem agir em complementaridade e cooperação.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)