ECONOMIA
'Tarifaço' de Trump pode ter desvio de comércio do mundo para desaguar no Brasil, diz Alckmin
Por ECONOMIA JB com Agência Estado
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Publicado em 04/04/2025 às 07:51
Alterado em 04/04/2025 às 07:51

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nessa quinta-feira (3) que o governo brasileiro está atento aos efeitos que o "tarifaço" anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar no comércio exterior.
"Nós ligamos aqui o alerta, porque pode ter desvio de comércio do mundo para desaguar aqui no Brasil. Então nós vamos monitorar qualquer alteração brusca de comércio exterior", disse em entrevista ao Jornal Nacional.
Ele avaliou que a medida anunciada quarta (2) enfraquece a Organização Mundial de Comércio (OMC), além de diminuir a previsibilidade e criar insegurança para investimentos. "Nós entendemos que esse não é o caminho, o caminho que nós defendemos é o diálogo e a negociação. Não se faz guerra para obter a paz. Guerra tarifária todos perdem", afirmou. Por outro lado, Alckmin repetiu que a decisão dos EUA pode acelerar o acordo Mercosul-União Europeia.
O vice-presidente voltou a dizer que o governo brasileiro não pretende usar a Lei da Reciprocidade aprovada esta semana pelo Congresso. "Não pretendemos usá-la, pretendemos fazer negociação", reiterou. A legislação estabelece critérios para que o Brasil responda a "medidas unilaterais" adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional do País.
Medo de recessão com tarifas elimina US$ 2 trilhões em valor das ações nos EUA
Os mercados financeiros dos EUA fecharam com a maior queda diária desde que a Covid-19 atingiu a economia global há cinco anos.
Bancos, varejistas, empresas de vestuário, companhias aéreas e tecnologia estavam entre os mais afetados, e espera-se que os consumidores cortem gastos se as tarifas levarem a preços mais altos de bens e serviços.
Com uma queda de 4,8% no S&P 500, mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado desapareceram, de acordo com Howard Silverblatt, analista sênior de índices da S&P Dow Jones Índices.
A queda de 4,8% foi a sétima pior do índice S&P 500, que teve o seu pior desempenho diário em 16 de março de 2020, quando derreteu 12%. Naquele mesmo ano, o índice caiu 9,5% em 12 de março; 7,6% em 9 de março e 5,9% em 11 de junho, além de 5,2% em 18 de março e 4,9% em 11 de março.