Petroleiros reagem a declaração de ministro sobre privatização da Petrobras: 'Não haverá consenso'

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Fernando Frazão/Agência Brasil
Credit...Fernando Frazão/Agência Brasil

Lucas Rocha - O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, disse nesta quinta-feira (4) que o processo de privatização da Petrobras desejado pelo governo Jair Bolsonaro (PL) pode começar ainda neste ano caso haja consenso. Petroleiros reagiram dizendo que não existe possibilidade de conciliação.

Conforme noticiou o Poder360, o ministro comentou, durante evento promovido pela corretora financeira XP Investimentos, a possível apresentação de um projeto de lei (PL) para a inclusão da estatal de petróleo no plano de desestatização do governo. Ele indicou que isso depende de consensos e pode ser feito ainda neste ano.

O ministro sinalizou que a expectativa é que o processo dure pelo menos três anos.

"Nós estamos estudando [a possibilidade], mas [com] um projeto desse tamanho você tem que ter muita segurança para gerar competição. E, acima de tudo, em uma democracia se avança em consensos", afirmou Sachsida.

A declaração gerou reações entre petroleiros. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), disse à Sputnik Brasil que a categoria está pronta para entrar em uma "greve histórica" caso o projeto seja apresentado pelo governo ao Congresso.

"Saschida promove um saque generalizado às riquezas e ao patrimônio nacional, seguindo o comando de Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Desde antes do recesso parlamentar se falava na apresentação desse PL, que tem o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira [PP-AL]", declarou.

"Nós da FUP, em uma assembleia com representantes de todos os petroleiros do Brasil, aprovamos uma greve por tempo indeterminado caso o governo venha apresentar qualquer projeto de privatização da Petrobras. Será uma greve histórica, a maior da história do Brasil", declarou o dirigente petroleiro.

Bacelar afirmou que não há possibilidade de um consenso nessa matéria e citou pesquisas de opinião que indicam que a rejeição à privatização é maior do que a aprovação.

"Não é apenas a categoria petroleira, a população brasileira disse que é contra. É obvio que não vai haver consenso. Quando falamos da Petrobras, estamos falando da maior empresa de energia do Brasil e da América Latina. A chance é zero, a sociedade não aprova isso. E ainda vai na contramão do mundo. Serviços estratégicos estão sendo estatizados no mundo, como na França e no Reino Unido", declarou.

"E ainda fazem isso no apagar das luzes. Esse governo está fadado ao fim", sentenciou.

Os petroleiros têm se mobilizado contra o pacote de privatizações de refinarias anunciado pela diretoria da estatal.

Fazem parte da liquidação: Refinaria Abreu e Lima (RNEST); Unidade de Industrialização do Xisto (SIX); Refinaria Landulpho Alves (RLAM); Refinaria Gabriel Passos (Regap); Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar); Refinaria Alberto Pasqualini (Refap); Refinaria Isaac Sabbá (Reman); e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor). A venda da RLAM, da Bahia, já foi concluída, enquanto Reman, Lubnor e SIX já tiveram contratos de compra e venda celebrados. 

 

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