
SAÚDE E ALIMENTAÇÃO
Mito: Carne vermelha causa doença renal
Publicado em 03/02/2025 às 09:28
Alterado em 03/02/2025 às 09:28

Há uma grande confusão sobre esse assunto, pois o fato de as pesquisas mostrarem que a dieta rica em proteína pode ser prejudicial para pessoas que já têm doença renal crônica, o mesmo não vale para quem não tem doença renal.
Ou seja, proteína não causa doença renal em pessoas saudáveis.
Um dos papéis principais dos rins é metabolizar e excretar subprodutos de nitrogênio da digestão das proteínas, e muitos acreditam que comer mais proteína vai sobrecarregar os rins.
Há um limite máximo que o corpo tem habilidade para metabolizar proteína (os estudos sugerem cerca de 35% do total de calorias), pois o cérebro tem mecanismos que regulam esse desejo, tornando-se difícil uma ingesta inadequada.
Suportando isso, um grande número de estudos comportamentais indica que tanto a quantidade como a qualidade da proteína dietética podem influenciar significativamente a ingestão alimentar.
Dietas ricas em proteínas tendem a reduzir a ingestão, dietas pobres em proteínas tendem a aumentar a ingestão para atender às necessidades proteicas, evitando assim desequilíbrio em aminoácidos.
Trabalhos recentes mostram que, por exemplo, o aminoácido leucina regula a ingestão de alimentos alterando a sinalização de mTOR e AMPK no hipotálamo, enquanto a ativação da proteína GCN2 no córtex piriforme anterior contribui para a correção de dietas desequilibradas em aminoácidos.
Ingestão de proteínas e função renal
Tendências recentes em dietas para perda de peso levaram a um aumento substancial do aporte de proteínas pelos indivíduos. Como resultado, a segurança do consumo habitual de proteínas dietéticas acima das ingestões recomendadas tem sido questionada.
Com isso, fica a preocupação de que a ingestão elevada de proteínas possa promover danos renais, no entanto, existem evidências significativas que apoiam esta dieta para indivíduos saudáveis.
O que a dieta rica em proteína causa nos rins
Os estudos mostram que o aumento da ingestão de proteína promove uma adaptação normal que ocorre em resposta a diversas condições fisiológicas.
São elas:
- Aumento da taxa de filtração glomerular (hiperfiltração)
- Aumento de tamanho e volume dos glomérulos, que são as unidades funcionais de filtração renal.
Hiperfiltração
Apesar de alguns interpretarem que essas mudanças são por estresse renal, outros entendem que trata-se de uma melhor adaptação para fazer a sua função.
A mais consistente e melhor explicação de que a hiperfiltração é uma resposta adaptativa à maior quantidade de proteína na dieta, semelhante ao que acontece na gestação - quando a filtração glomerular aumenta significativamente sem causar maior risco de doença renal.
Outro exemplo claro é quando há doação de um dos rins, a filtração glomerular do rim restante, como uma resposta adaptativa, se mantém elevada.
E a literatura médica mostra que não há risco aumentado de doença renal em pacientes com um rim, mesmo cerca de 20 anos após a doação.
Depois de revisarem todas as pesquisas publicadas sobre dieta hiperproteica e doença renal, os autores do estudo concluíram que enquanto a dieta alta em proteína pode ser danosa para os indivíduos com doença renal, isso não acontece nos rins de pessoas saudáveis.
Com a publicação deste estudo, novas pesquisas foram feitas para checar o efeito da dieta rica em proteínas na filtração glomerular de indivíduos saudáveis, as conclusões foram as mesmas.
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Dr. Wilson Rondó Jr.
CRM RJ 52-0110159-5
Cirurgião Vascular de formação e Nutrólogo
Registro nº 058357