Itaú vê PIB do Brasil na rabeira

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O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú-BBA apresentou nesta 6ª feira, 15 de outubro, a revisão de suas projeções econômicas para o Brasil e as principais economias mundiais. E o Brasil não fica bem na foto nem de 2021 – o crescimento do PIB foi reduzido de 5,3%, em setembro, para 5%, com a desaceleração recente da indústria e do consumo de bens, reflexo da alta inflação, que está tirando poder de compra da população – nem em 2022, quando o Itaú manteve a projeção de crescimento de apenas 0,5% no PIB.

Nas projeções do governo, o PIB crescerá 5,3% este ano e 2,5% em 2022. O Fundo Monetário Internacional divulgou na 3ª feira a previsão de que o PIB brasileiro crescerá 5,2% este ano e 1,5% em 2022. O Bradesco, que é dos mais otimistas, revisou semana passada o PIB para 5,2% este ano (era de 5,3%) e reduziu a estimativa de 2022 de 1,8% para 1,6%. A LCA Consultores espera 4,8% este ano e 1,7% em 2022. O Santander deve estar atualizando o cenário de outubro: em setembro previa PIB de 5,1% em 2021 e de 1,7% em 2022.

Inflação e juros

Mas todos estão pessimistas com a evolução da inflação. Ela atingiu o pico de 12 meses em setembro, quando o IPCA bateu em 10,25%, mas seguirá alta até o fim deste ano e na primeira metade de 2022, com a consequente dosagem do remédio (taxa de juros), que derruba a economia junto com a febre dos preços. O Itaú prevê IPCA de 8,7% este ano e de 4,2% no ano que bem, com a taxa Selic fechando 2021 em 8,25% e em 9% em 2022.

O Bradesco espera inflação de 9,04$ este ano (Selic de 8,25%) e IPCA de 3,83% em 2022 (Selic de 8,50%). Já a LCA prevê inflação de 8,7% este ano (Selic de 8,25%) e IPCA de 4,5% em 2022 (Selic de 8,75%). Em 16 de setembro, o Santander esperava IPCA de 8,5% e de 4,3% em 2022, com revisão para cima da Selic. Os juros altos poderiam levar a meta de inflação do ano que vem a fechar acima do centro – 3,5%, mas até 5% estaria sob o teto de tolerância (+ 1,5 p.p.).

Petróleo e “chips” derrubam PIB

A questão é o cenário externo de alta do petróleo (a transição energética, está trocando o carvão, mais poluente, pelo gás natural e derivados de petróleo, e os Estados Unidos estão produzindo menos no “shale gas” no governo Biden, vindo a atuar como comprador) – na estimativa do Itaú, o aumento do custo do petróleo/transição energética vai reduzir em 0,4 pontos percentuais a perspectiva do PIB em 2022 (0% em 2021) - e a alta de alimentos, devido à quebra de safras por problemas climáticos, torna a atuação do Banco Central mais difícil. O aperto dos juros esfria a economia, num primeiro momento.

O cenário se complica com os problemas da economia chinesa em normalizar o fornecimento de circuito eletrônicos (“chips”), que estão atravancando a cadeia global de produção industrial. Neste ano, o Itaú estima que os gargalos chineses tiraram 0,1 p.p, de desempenho do PIB. Mas, para 2022 seria pior: -0,3%. Juntos, petróleo e “chips” tirariam 0,7 p.p. de potencial do PIB mundial.

Para piorar, nenhuma instituição espera valorização do real ao final de 2022. O Santander esperava R$ 5,55/US$; o Itaú, R$ 5,55 nos dois anos; o Bradesco espera R$ 5,15 em dezembro de 2021 e R$ 5,60 em dezembro do ano eleitoral de 2022. A LCA é a única otimista e espera que a alta dos juros valorize o real diante do dólar, que fecharia valendo R$ 5,10 em 2021 e R$ 4,90 em 2022.

Brasil na rabeira do crescimento mundial

As projeções do Itaú repetem a previsão de fraco desempenho do Brasil entre as principais economias mundiais já previsto pelo FMI. Mas, como o banco atua com subsidiárias na América do Sul, México e Caribe, suas projeções englobam a região e o Brasil tem as menores projeções de crescimento em 2021 e para 2022.

Na média, a economia mundial teve a projeção reduzida de 6,1% (em setembro) para 6% e a taxa de 2022 revisada também para baixo: de 4,3% para 3,9%. A China lidera a fila do crescimento: 7,7% este ano e 5,1% em 2022. Os Estados Unidos cresceriam 5,9% este ano e 4,3% em 2022 (4,6% em setembro). A Índia teria a taxa recorde de 89,5% este ano e 8,5% em 2022.

A zona do Euro teria crescimento de 4,9% este ano e de 4,8% em 2022. Na Europa, todos cresceriam bem mais que o Brasil, segundo o FMI. A Alemanha cresceria 3,1% este ano e 4,6% em 2022; a França, 6,3% e 3,9%, respectivamente; a Itália 5,8% e 4,2%; a Espanha, 5,7% e 6,4%; e o Reino Unido, tão castigado pela pandemia e pelo traumático “Brexit”, avançaria 6,8% e 5%. Para completar o placar, o Canadá cresceria 5,7% e 4,9%.

Como são países de moeda forte, seus PIBs aumentariam o distanciamento em relação ao Brasil. As economias mais desenvolvidas alargariam a distância diante do Brasil, que tende a perder definitivamente posições entre as 12 maiores economias do mundo. Até na América Latina o Brasil ficaria para trás.

O Chile cresceria 10,8% este ano e 1,9% em 2022. O Peru, terias expansão de 11% (recuperando o tombo igual em 2020) e avançaria 3% em 2022. A Argentina teria crescimento de 7,8% este ano e de 1,4% em 2022. A Colômbia teria alta de 8,8% em 2021 e de 2,7% em 2022. E o México, 2ª maior economia da região, atrás apenas do Brasil, avançaria 6,4% em 2021 e 1,6% em 2022. (No cenário do FMI, o México cresce 6,2% este ano e 4% em 2022).

Nos dois gráficos elaborados pelo Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco vê-se que o Brasil foi dos países que tiveram maior desvalorização de sua moeda frente ao dólar e a cesta de moeda da Bloomberg. E o impacto no mercado de ações foi igualmente semelhante.

Macaque in the trees
. (Foto: Bradesco)

Macaque in the trees
. (Foto: Bradesco)



Gilberto Menezes Cortes
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