Mara MacDowell, pioneira do bom gosto

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Foto: Ines Rozario
Credit...Foto: Ines Rozario

Mara MAC, como era conhecida a competente profissional da moda brasileira, nos deixou hoje. Pioneira por ter sido uma das primeiras a propor um estilo elegante em roupas e acessórios nos anos 1960 nos dois andares da Mariazinha, butique em frente à praça Nossa Senhora da Paz. A paixão sempre foi a parte de sapatos e bolsas, que eram disputadas a cada coleção. O incrível era se manter forte em meio à proliferação de pequenas butiques, cheias de novidades. A maioria durou pouco, enquanto a Mariazinha se renovava, abria filiais em outros estados. "Tenho que estar em todos os shoppings, ocupar o meu espaço ", dizia, inaugurando cada novo endereço assinado por arquitetos como Ricardo Campos. À primeira vista, era uma senhora discreta, quase sempre de preto. Mas o cabelo preto tinha uma mecha azul na nuca. Rindo, porque sabia que surpreenderia, mostrava uma tatuagem no tornozelo.

O instinto inovador levou a produzir desfiles inesquecíveis no Fashion Rio. Até carros serviram de passarela nas tendas do MAM em 2007; pilhas de livros foram cenários de uma poética série de verão. O amigo Baden Powell fazia a trilha de outra apresentação, cheia de gaivotas recortadas suspensas sobre a passarela. Modelos carregavam aquários com peixinhos, o que provocou polêmicas óbvias, reclamações de defensores dos direitos dos animais. Mas veterinários aguardavam no backstage - Mara Mac sabia de tudo!
O perfeccionismo moveu seu trabalho, as bolsas com seu nome são peças de coleção. Mas as crises econômicas foram mais fortes, em 2019 Mara fechou as portas das lojas. Até nisto foi sábia e pioneira: escapou da crise pior, da pandemia da Covid 19, que avassala o comércio do mundo todo.
Uma embolia pulmonar levou esta importante figura da moda brasileira.

 

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