Por Coisas da Política
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COISAS DA POLÍTICA
Uma ONU reformada
Publicado em 27/01/2026 às 11:04
Alterado em 27/01/2026 às 11:04
Sede da ONU Foto: AP Photo / Adam Rountree
A verdade e a experiência ensinam que nada é tão ruim no tempo e no espaço, que deles não se possa extrair algum proveito. Talvez seja oportuno acomodar no espírito dessa sabedoria o quadro conturbado nas relações internacionais, em grande parte devido ao temperamento mercurial do presidente Trump.
Pois, se nada é tão ruim, parece possível que de tudo isso nasça uma nova ordem política de convivência entre os países e seus governos. Estaria essa ordem baseada e inspirada na reformulação da Organização das Nações Unidas, que, a despeito da excelência de seus propósitos, não tem conseguido botar ordem no mundo; e a paz, ideal consagrado como o maior de seus objetivos, não consegue avançar; muito menos fazer-se respeitar. Antiga, nascido sob o calor de uma guerra mundial que acabava de acontecer, envelheceu, está a reclamar reajustes.
O entrave maior, muito claro no curso de seguidos episódios, está no Conselho de Segurança, constituído e administrado por cinco países que, na maioria das vezes, têm responsabilidades diretas ou indiretas nos conflitos que eles mesmos geram ou deles tiram proveitos... Fundamental, portanto, seria a ampliação do número de cadeiras nesse poderoso colegiado, de maneira que ali se dê abrigo e direito de voto a todos os povos, eleitores permanentes, não apenas fortuitos ou acidentais.
(O presidente Trump jamais figurou entre os admiradores da ONU, como parte de uma conhecida aversão por instituições internacionais. A Otan e as organizações da Saúde e do Comércio são alguns exemplos. Percebe-se essa antipatia no seu projeto mais recente, o Conselho da Paz, envolvendo 60 países, unidos para a reconstrução de Gaza em ruínas, mas sem a presença dos palestinos, principais interessados, donos da terra).
Não é de agora, mas de muitos anos passados, com Juscelino, Jânio ou Fernando Henrique que o Brasil levanta uma voz ativa em nome da reestruturação desse Conselho. Somaram-se a muitas outras delegações que integram a ONU, em cujo plenário, sabem todos, nos momentos críticos a palavra final tem sotaque inglês, francês, russo ou chinês. Não há ali outro idioma quando suscitadas questões de segurança e de guerras que têm hora para começar, mas não sabem como acabar.
Se a expansão da representatividade sempre foi uma imposição da sensatez, muito mais nestes dias em os três membros mais influentes - Estados Unidos, Rússia e China – ensaiam transformar o globo num bolo, onde as cerejas estão na superfície ou no subsolo, e dividido entre eles: os russos com a Ucrânia e depois outros satélites; a China cada vez mais animada em tomar Taiwan e ilhas longamente colonizadas pelo Japão; e Estados Unidos, com pouco convincentes argumentos para assumir totalmente a Groenlândia, além da América Latina, que Trump tem na conta de um quintal inacessível a quem vem de outras plagas, que não sejam os ianques.