Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Depois de Belém
Publicado em 25/11/2025 às 09:01
Alterado em 25/11/2025 às 15:12
Reflexão que parece procedente, quando se tem em conta a avaliação da COP 30, responsável, nos últimos dias, por colocar o Brasil em destaque internacional, é que, realmente, assiste-se ao crescimento de uma preocupação quanto aos desafios do meio ambiente, em particular o clima. O que é dado animador, porque todos saem daqui um pouco mais conscientizados de que estamos, nós e o resto do mundo, diante de uma questão que precisa se sobrepor ao romantismo de naturalistas e interesses econômicos, mas o real desafio da humanidade para as décadas seguintes. Mesmo que ainda sobrevivam setores acomodados ou desinteressados, como o governo dos Estados Unidos, os árabes do petróleo, e até alguns integrantes do Brics, a indiferença vai, aos poucos, perdendo espaço. Belém do Pará, com todas as deficiências e senões, ajudou a constatar que há preocupação crescente com o clima; e isso já se conta como ponto favorável.
Essa particularidade, se permite certo alívio, também adverte quanto a novos e incansáveis esforços para que não caia no vazio tudo que se falou, que se denunciou em nome de um clima mais ameno. As poucas resoluções, mesmo que modestas diante das necessidades, não podem cair no esquecimento; nem cedam ao poder de conhecidos setores de resistência. Antes que prosperem, é preciso reagir, o que impõe, num capítulo seguinte ao recente encontro coordenado pelo Brasil, tratar de ações de continuidade. Belém precisa permanecer de plantão, e não se permitir ao pobre destino das conferências anteriores.
Temores fazem sentido. Tomemos como exemplo que, dez anos passados, em Paris, quando o tema já ensejava compromissos internacionais, projetos ambientais foram solenemente aclamados, com a promessa de que U$ 100 milhões seriam imediatamente aplicados. Não saíram de lá nem chegaram a lugar algum. O dinheiro, viu-se mais uma vez agora, é a grande questão: os sonhados 1,3 trilhão para socorrer o mundo asfixiado, não foram além de 3,4 bilhões; mesmo assim, suspeitíssimos, porque têm de sair de setores privilegiados, como os poços de petróleo dos árabes e do armamento, que sempre foi guloso consumidor de orçamentos.
Despedidas as delegações que estiveram em Belém, de volta aos países de origem, cabe indagar qual o passo seguinte para que preocupações tão longamente debatidas sejam honradas e avancem ao campo da objetividade; para que essa COP não esteja condenada, como suas antecessoras, a mero papel de simpósio de boas intenções, sem decorrências eficazes. E que as preocupações com o clima deixem de ser tradicionais reféns de tediosos e improdutivos relatórios.
Os trabalhos em Belém, é bem sabido, não conseguiram vencer certa má vontade de importantes lideranças, estas costumeiramente desconfiadas de que temas como a proteção do clima, a renovação de fontes de energia e a proteção das reservas florestais, mesmo que desejáveis, conflitam com o desenvolvimento das economias produtivas. Vem logo à lembrança o boicote americano, além de certo descaso de russos, árabes e africanos.
Estamos cada vez mais convencidos de que a grande causa climática devia ser acolhida como real prioridade pela Organização das Nações Unidas, em cujas portas batem as maiores aspirações de todo os povos.