Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Para discutir a sucessão
Publicado em 18/11/2025 às 06:09
Alterado em 19/11/2025 às 07:13
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As intensas atividades com que se processou a COP-30, dominando as prioridades do governo, acabaram por reduzir a segundo plano outras questões prioritárias, como a complicada discussão sobre a maneira de construir uma política eficiente de segurança pública; como também dominaram a agenda presidencial e imobilizaram parte das atividades parlamentares. Finda a grande conferência sobre o clima, com todas as incertezas sobre o que dela se vai obter, os setores políticos devem redobrar atenções no campo da sucessão presidencial até porque, a partir de agora, distantes só onze meses as eleições, tudo que se fizer, tudo que se decidir terá olhos voltados para as urnas de 26; tanto os olhos dos que governam como os que lhes fazem oposição.
Um raciocínio que parece autorizado evidencia-se nas pesquisas, mesmo que elas sejam analisadas sob justas reservas, considerando-se o pleito ainda distantes e os muitos cenários que podem se alterar em razão dos acontecimentos e das imprevisibilidades. Revelam, com insistência, que estamos diante de um eleitorado rachado ao meio. Breves alterações de números e nomes não refletem tendência a mudanças substanciais nesse panorama, fruto da radicalização, tal como em 2022. Quanto a isso não há discordâncias.
( Então, o que há hoje de concreto? Duas realidades: o governo sabendo que o melhor projeto é trabalhar para a reeleição do presidente, porque não lhe resta outro caminho com potencialidade, e, na outra ponta da corda esticada, a direita fragmentada por ambições de ocasião e sem saber até onde confiar na herança do bolsonarismo.)
Há uma crescente preocupação com o destino sombrio da segurança, porque o país mergulhou num estágio em que o crime, cada vez mais organizado, contrasta com o poder público, confuso quanto às políticas de enfrentamento mais adequadas. É assunto que tem garantia de vaga na campanha pelos votos, quando os candidatos, quaisquer que sejam seus partidos ou convicções ideológicas, terão de mostrar ao eleitor o que não souberam fazer para tornar as populações mais seguras ou, se não tanto, menos vulneráveis. Curioso sentir que temos caminhado para uma eleição em que o estado organizado, das instituições e das leis, tem de se expor, enquanto às organizações ilegais convém o refúgio e a proteção das favelas e dos complexos, onde operações policiais são visitas indesejáveis. A ineficiente segurança é que terá de subir ao palanque dos governistas e oposicionistas. Por outro lado, como sabemos, os criminosos deixam claro os candidatos que apoiam.
Há quem arrisque a possibilidade de a próxima campanha pela sucessão presidencial abrir algum espaço para a influência de temas momentosos da política externa, algo difícil de prever, se considerarmos que o brasileiro já tem pela frente uma vasta pauta de problemas, sem vagar para deixar-se influenciar pelo que o governo fez ou deixou de fazer na diplomacia. Custa admitir que se preocuparia com as rusgas entre Trump e Lula, mesmo sob o risco de se agravarem. Ou, também duvidoso, se deixar o voto comover-se pelo fiasco da oferta do Brasil para trabalhar a pacificação dos ânimos tensos entre Estados Unidos e Venezuela, oferta de boa vontade que os litigantes jogaram no lixo. Talvez menos inviável, quem sabe, possam ser os desdobramentos externos da COP 30, quando servimos de cenário para aprofundar preocupações com o clima.
Seria bom sinal de aperfeiçoamento do eleitorado vê-lo também preocupado com as ações externas, e como andam nossas responsabilidades num mundo onde não estamos sozinhos, mas prontos a pagar pelos males que a todos atormentam.