'Cibermercenários' são banidos do Facebook por espionagem de milhares de usuários

A Meta baniu contas vinculadas a sete entidades pela realização de operações de "vigilância de aluguel" contra cerca de 50.000 usuários

Foto: Tumisu
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A empresa Meta, gigante tecnológica dos Estados Unidos, dona do Facebook e Instagram, identificou e baniu diversas contas vinculadas a sete entidades pela realização de operações de "vigilância de aluguel" contra cerca de 50.000 usuários.

Uma das empresas eliminadas é a Black Cube, administrada por israelenses, contratada pelo produtor caído em desgraça Harvey Weinstein.

A empresa divulgou que frustrou operações massivas de vigilância que violavam seus termos de uso. As operações usavam as plataformas da Meta para espionar os usuários passivamente, engajá-los de forma direta para que fossem induzidos a revelar informações confidenciais e plantar malware (qualquer software – vulgarmente, programa ou aplicativo – intencionalmente feito para causar danos a um computador, servidor, cliente) em seus dispositivos, informou a empresa na quinta-feira (16).

As sete entidades são apenas parte de uma crescente indústria de "vigilância de aluguel" que surge através da conectividade das mídias sociais, disse a empresa. Essas empresas realizam "vigilância indiscriminada" em nome de seus clientes, visando dissidentes, jornalistas, ativistas de direitos humanos e outros, diz o documento.

Identificados após uma "investigação de meses de duração", os sete operadores, agora banidos, atuavam em mais de 100 países e espionaram cerca de 50.000 pessoas. A Meta disse que vai alertar as pessoas afetadas.

"Para ajudar a interromper essas atividades, bloqueamos a infraestrutura relacionada, banimos essas entidades de nossa plataforma e emitimos avisos para cessar e desistir", disse a empresa. "Também compartilhamos nossas descobertas com pesquisadores de segurança, outras plataformas e legisladores para que eles também possam tomar as medidas adequadas."

Seis dos alvos da ação punitiva da Meta foram identificados como empresas de segurança privada: Cobwebs Technologies, Cognyte, Black Cube, Bluehawk CI, BellTroX e Cytrox. Centenas de contas vinculadas a cada uma delas foram bloqueadas, disse a empresa.

A agência de Israel Black Cube ganhou notoriedade depois de ser acusada de perseguir vítimas de assédio sexual nas mãos do ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein. Black Cube rejeitou as alegações da Meta de atividades maliciosas.

Enquanto apresentava as descobertas da Meta, o chefe de segurança, Nathaniel Gleicher, chamou a atenção para uma investigação recente do Citizen Lab, que acusou uma pouco conhecida empresa da Macedônia do Norte, Cytrox, de infectar os telefones de dissidentes egípcios com seu spyware (tipo de programa automático destinado a infiltrar-se em um sistema de computadores e smartphones, para coletar informações pessoais ou confidenciais do usuário), o Predator.

 


[13 / Importante destacar o notável trabalho investigativo de John Scott-Railton e toda a equipe em Citizen Lab, que estão lançando um relatório aprofundado sobre um desses casos hoje e compartilharam conosco informações que nos permitiram identificar e compartilhar indicadores de comprometimento]

A Cytrox é supostamente parte de uma aliança de empresas criada para competir com o NSO Group, com sede em Israel, produtor do spyware Pegasus. O NSO ganhou as manchetes neste ano pelo seu suposto trabalho antiético para governos opressores em todo o mundo e teve, em função disso, uma sanção aplicada por Washington, em novembro.

O relatório sobre outra entidade banida foi destacado pelo chefe das investigações de espionagem cibernética da Meta, Mike Dvilyanski, coautor do relatório com Gleicher e David Agranovich, líder global de interrupção de ameaças do Facebook.

Bluehawk CI, uma empresa israelense, supostamente teria se apresentado como correspondente da Fox News e um jornalista que trabalhava para o jornal italiano La Stampa para ajudar um governante dos Emirados Árabes Unidos em um litígio, de acordo com o Daily Beast.

 


[Outra das empresas visadas pela Meta hoje, a israelense Bluehawk-CI, foi identificada pela primeira vez pelo The Daily Beast com a ajuda da segurança do FB em abril, quando encontramos a empresa se passando pela Fox News e espionando críticos do emirado de Ras al-Khaimah, dos Emirados Árabes Unidos]


O sétimo alvo do expurgo da Meta foi descrito como uma "entidade desconhecida" que foi acusada de implantar "ferramentas de malware" contra grupos minoritários na região de Xinjiang e em Hong Kong, na China, bem como em Mianmar. A entidade, segundo a empresa, estaria supostamente envolvida na "aplicação da lei interna" na China.

Os investigadores da Meta expressaram esperança de que o relatório ajude as pessoas a entenderem melhor "os danos que esta indústria representa em todo o mundo" e apelaram aos "governos democráticos para tomarem medidas adicionais para ajudar a proteger as pessoas e impor supervisão sobre os vendedores de spyware onipresente". (com agência Sputnik Brasil)

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