CRÔNICAS

Carnavalescas

Por LUÍS PIMENTEL

Publicado em 01/03/2025 às 17:41

Alterado em 01/03/2025 às 17:41

. Foto: Pixabay

1.
Aldir Blanc com uma cabeça de jacaré enfiada no pescoço, no primeiro desfile do Rancho Flor do Sereno, em Copacabana, em mil novecentos e oitenta e troço qualquer do século passado.
Alfredinho — presidente, mestre de cerimônias e leão de chácara — seguia na frente, aos gritos:
— Olha a harmonia, Chiquinho! Controla as melindrosas, Didu! Arruma a bateria, Leo Vascaíno! Larga a cerveja e cuida da harmonia, Jayminho!
Durante a resenha, no boteco da Souza Lima, Aldir, com a cabeça de jacaré no colo:
— Alfredinho é a alma encantadora dessas ruas, do Bip, do rancho, do bloco, da porra toda!

2.
Manhãzinha do sábado de Carnaval. Eu tomava a última gelada da noite e a primeira do dia no bar da Evaristo da Veiga, fazendo hora para a saída do Bola Preta, quando a freira de bigode e pernas cabeludas se abancou:
— Putaquipariu!
— Bom dia, irmã. Vindo do Carmelitas?
— Tô. E tu?
— Do Bloco do Bip Bip.
— Existe?
— Pô! É campeão…
— Muito concorrido?
— Umas trinta pessoas, quando está insuportável de cheio.
Ele riu, cuspiu no chão, chamou o garçom, pediu um conhaque e um risole.
— Tem de carne, frango e camarão. Vai de quê? — perguntou o garçom.
— Qualquer um. É só pro estômago ter o que mandar de volta.
Engoliu o salgado, mamou o macieira, jogou beijos com as mãos e atravessou a Senador Dantas, trocando pernas.
— Esse não chega na metade do desfile do bloco — disse o rapaz.
— Não faz mal. Ano que vem ele tenta de novo — respondi.
E sorrimos, carnavalescamente.

3.
Depois do desfile do Clube do Samba, na Atlântica, João Nogueira invadiu o restaurante Alcazar, acompanhado de sua Ângela, Paulinho Soares, Paulo César Feital e de quem mais não lembro, com sede de anteontem e labareda no olhar.
Só lembro bem do comentário do garçom, Paulinho, ao vê-lo adentrar o recinto:
— Vixe!

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