Crítica - ‘O Festival do Amor’: um novo Woody Allen romântico. E para cinéfilos

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Aquela máxima que diz que ‘um filme menor do Woody Allen é melhor do que quase tudo o que estiver em cartaz’ continua valendo para este ‘O Festival do Amor’ (‘Rifkin´s Festival’, 2020), o mais recente do grande diretor que, por enquanto, continua ‘cancelado’. E agora nos dá filmes mais espaçadamente que antes. Este já tem uns dois anos que foi feito.

O alterego do diretor, desta vez, é feito por Wallace Shawn, que encarna Mort Rifkin, um ex-professor de cinema que acompanha a mulher, Sue (Gina Gershon), publicista, no famoso Festival Internacional de Cinema de San Sebastian, na Espanha. Onde ela foi divulgar o trabalho de um novo diretor queridinho da crítica, Philippe (Louis Garrel). E, ao que parece, também queridinho dela. Enquanto isso, Rifkin, hipocondríaco, acha que está com um problema cardíaco. Acaba indo ver um médico que, na verdade, é uma bela doutora, Jo Rogers (Elena Anaya), pela qual se encanta.

Enquanto a trama se desenrola, acontece na mente de Rifkin o festival do título original do filme. Ele vai rememorando momentos de sua vida e ilustrando cada um deles com um clássico do cinema. Sua infância, por exemplo, é representada por uma cena de ‘Cidadão Kane’. E a cada memória um clássico do cinema ilustra suas lembranças. De ‘Persona’ e ‘O Sétimo Selo’, de Bergman, a ‘O Anjo Exterminador’, de Buñuel, passando por ‘Acossado’, de Godard, e ‘Jules & Jim’, de Truffaut, entre outros (todos em preto e branco).

Paralelamente, o caso entre a mulher de Rifkin e o jovem diretor vai ficando escancarado; e ele, por sua vez, volta todo dia na doutora, com um novo problema, apenas para vê-la (ela também está passando por um momento turbulento em sua relação com o marido, um pintor excêntrico). Enquanto isso, a rotina chata das coletivas de festivais (que Allen evita), com as mesmas perguntas de sempre, é ironizada.

Enfim, este 49º filme de Woody Allen (que, apropriadamente, foi lançado no Festival de San Sebastian 2020), é uma delícia para cinéfilos e fãs do diretor. A lista de filmes de Rifkin, e seus comentários, são a voz do próprio Allen, que sempre foi fã do cinema de arte europeu (só abriu exceção na lista para o ‘Kane’, de Orson Welles). Se Allen não estivesse numa espécie de ‘lista negra’, o filme seria muito mais bem recebido do que foi. É bem melhor do que seus dois últimos, embora longe de seus grandes momentos.

Esperamos que não seja o seu último. Que ele consiga emplacar um número redondo, com o seu filme 50.

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