‘Turma da Mônica – Lições’ estreia semana que vem

O diretor Daniel Rezende falou ao JB

Foto:  Serendipity Inc
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O aguardado filme de Daniel Rezende é a segunda adaptação para as telas que ele faz dos personagens criados por Maurício de Souza e inspirado na Graphic Novel de Vitor e Lu Cafaggi.

A primeira adaptação – “Turma da Mônica – Laços” (2019) – alcançou mais de dois milhões de espectadores.

Nas novas aventuras narradas em “Lições”, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se esquecem de fazer o dever de casa e fogem da escola. Agora terão que encarar as consequências, que não serão poucas. Nesta nova jornada, a turma descobrirá o sentido e o real valor da palavra amizade.

O elenco, além dos citados e de outros, conta com a participação especial de Malu Mader como a professora da classe da Mônica.

A narrativa de “Lições” é delicada e procura fugir da armadilha das sequências. Além disso, cumpre com louvor o desafio de focar no emocional e, ao mesmo tempo, manter o lado divertido e lúdico de personagens que fazem parte da vida de várias gerações de brasileiros.

O filme é produzido pela Biônica Filmes, em coprodução com Maurício de Souza Produções, Paris Entretenimento, Paramount Pictures e Globo Filmes. A Paris Filmes e a Downtown Filmes assinam a distribuição.

Rezende, nascido em São Paulo, começou sua carreira de diretor em 2016 com a comédia “Bingo – O Rei das Manhãs”. Mas sua experiência no cinema teve início como montador em 2002, do aclamado “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Daí em diante, continuou uma consagrada carreira assinando a edição de destacados filmes brasileiros como “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles (2004); “O Ano em que meus Pais saíram de Férias”, de Cao Hamburger (2006); e “Tropa de Elite” (2004) e “Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é Outro (2010)”, ambos de José Padilha. Além de trabalhos no exterior como um dos montadores de “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick (2011); e de “Robocop”, também dirigido por Padilha (2014).


Em entrevista exclusiva para o Jornal do Brasil, o cineasta falou sobre a motivação para fazer “Lições”, as razões que fazem essa turma ser tão longeva e como vê o contexto pós-pandemia, principalmente quanto aos padrões que vínhamos seguindo.

 

JORNAL DO BRASIL - “Turma da Mônica – Lições” é um filme sobre educação, sentimentos, o valor da amizade e o diferencial do crescimento dos personagens e dos atores. O que mais o motivou para realizá-lo?

REZENDE - “Lições”, assim como “Laços”, é inspirado na Graphic Novel dos irmãos Cafaggi, que tem um tom mais emocional e profundo. No primeiro filme, o desafio foi criar esse universo Mauriciano em carne e osso. Agora o desafio era exatamente entrar mais nos personagens clássicos e ir amadurecendo com eles.
Era um risco porque estamos acostumados a vê-los apenas como crianças nos quadrinhos. O que me motivou foi exatamente olhar para esse crescimento real dos atores e trazer isso para a dramaturgia, num filme emocionante e divertido. Na vida real crescemos e não há o que fazer contra isso além de aprender com as dificuldades que a vida nos traz. A jornada interna dos personagens de “Lições” refletia esse aprendizado: “É possível crescer sem deixar de ser criança”.

 

Podemos dizer, sem errar, que praticamente todos os brasileiros de qualquer idade e condição social conhecem os personagens da Turma da Mônica. Você tem um papel nisso. Além do viés divertido e poético que Maurício de Souza dá aos personagens. O que mais você acha que contribui para essa turma ser tão longeva?

Não há dúvidas que Turma da Mônica é não somente o maior ícone da cultura pop nacional, mas também faz parte da vida de 200 milhões de brasileiros, por diversas gerações. Maurício criou personagens que são icônicos e inesquecíveis além de se assemelharem a cada um de nós, em vários momentos da vida.
A versão live-action foi feita com muito cuidado e carinho, para que todos os fãs pudessem reconhecer seus personagens e, ao mesmo tempo, pudessem se reconhecer neles e nos temas que tratamos no filme. Foi muito desafiador lidar com assuntos não muito familiares a filmes infantis, como o medo, a ansiedade, a saudade e o amadurecimento. E tem sido muito emocionante ver a reação de crianças, adolescentes e adultos nas primeiras projeções do filme, todos rindo e chorando ao mesmo tempo.

 

A pandemia mudará muita coisa e um dos nossos questionamentos é certamente os padrões que vínhamos seguindo. Como você vê essa mudança e o Cinema Brasileiro nesse contexto?

A pandemia vem mudando a maneira com que nos relacionamos com o mundo e com as pessoas. Espero que para melhor. As pessoas parecem estar sedentas e saudosas da experiência coletiva. E o cinema é um grande exemplo disso. Seguramos o lançamento até agora porque acreditamos que esse filme merecia essa risada e esse choro coletivo.
“Lições” é acima de tudo um filme sobre a separação e a busca pelo reencontro. Exatamente o que temos passado nos últimos 18 meses. Essa camada de significado acrescenta ao filme uma carga emocional ainda maior do que ele já tem.
Por isso, recomendo levar, além da máscara, uma caixa de lenços ao cinema depois da estreia no dia 30/12. Acho que todas as pessoas que assistirem ao filme, independentemente da idade, vão precisar (risos).

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