Crítica - ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’: um filme de super-herói ousado e ambicioso

Cotação: quatro estrelas

Foto: reprodução
Credit...Foto: reprodução

Um filme, seja baseado em Shakespeare ou histórias em quadrinhos, precisa contar uma boa história, ter atores adequados (e bons) nos papeis, e um roteiro que faça sentido. Não é pedir muito. Mas cada vez mais isso vem se perdendo em meio a ‘lacrações’ e modificações na essência dos personagens.

Felizmente, não é o caso deste “Homem-Aranha: sem volta para casa” (‘Spider-man: no way home’), terceiro filme do aracnídeo com o ator Tom Holland, que é também o terceiro ciclo do herói dos quadrinhos nos cinemas. E com o terceiro ator diferente (antes tivemos Andrew Garfield e Tobey McGuire), nos últimos 20 anos. Desde os dois primeiros, dirigidos por Sam Raimi (que também fez um terceiro, que deu errado) não víamos um filme tão satisfatório do primeiro herói teen Marvel (criado há 60 anos por Stan Lee) como este. Está tudo nos lugares certos. Ele conecta todas as pontas, faz sentido, agrada aos fãs, e conserta até erros dos anteriores. E ainda adentra no chamado multiverso, que tinha sido explorado no ótimo longa animado ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ (2018), que muita gente não viu por ser desenho.

O diretor Jon Watts (que dirigiu os dois anteriores, ‘Volta ao lar’ e ‘Longe de casa’, o que garante coesão) fez tudo certinho, sem querer inventar nem modificar nada. Está tudo dentro dos cânones do herói (e da Marvel), e fazendo uma ponte para o MCU perfeita. Já que o Aranha não faz parte do contrato da Marvel com a Disney. Seus direitos pertencem à Sony. Que só recentemente permitiu que o herói adentrasse no MCU (Marvel Cinematic Universe) e fizesse as devidas conexões. E felizmente deu tudo certo.

Parte da trama – que começa imediatamente na última cena do filme anterior, quando a identidade do Aranha, Peter Parker, é revelada mundialmente pelo vilão Mysterio - foi adaptada de outras usadas nos quadrinhos, sendo a maior parte vinda do arco usado em ‘One moment in time’ (2010), de Joe Quesada. E o filme conta com a participação providencial do místico Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), quando Peter o procura para pedir um grande favor, e o feitiço dá meio errado, liberando seres de outro mundo.

E mais não podemos falar, para não estragar as surpresas, que são muitas. Mas os fãs de primeira hora do herói irão se emocionar em vários momentos, e até aplaudir determinadas cenas. É um filme bom para ser visto (é uma verdadeira teia de emoções, com trocadilho) no cinema, com a sala cheia. É disso que se trata o cinema pipoca, o cinema diversão, o filme de herói. O resto é truque. Tem tudo para fazer uma bilheteria monstruosa. Como certamente fará.

_______

COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais