"Deserto Particular", indicado do Brasil ao Oscar, estreia nos cinemas

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“Deserto Particular”, de Aly Muritiba, estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta feira (25).

O filme é o indicado oficial do Brasil para tentar uma vaga entre os candidatos ao Oscar de Melhor Filme Internacional, cuja cerimônia de premiação está agendada para 27 de março do próximo ano.

E tem vários requisitos para isso. Além de uma tocante história belamente filmada e com ótimos desempenhos, integrou a Mostra Internacional de São Paulo depois de ter tido première mundial na 78º edição do festival de Veneza, onde foi ovacionado e ganhou o Prêmio do Público, um dos mais importantes reconhecimentos que um filme pode receber.

Na ocasião, em entrevista ao Jornal do Brasil, Muritiba formulou uma definição que exprime bem o cerne de “Deserto Particular”.

“É um filme de encontros num momento de desencontros. Um filme de amor em tempos de ódio. Fazer esse manifesto afetivo e apostar em encontros tem tudo a ver com o que estamos vivendo no Brasil”, disse o cineasta, enfatizando que precisamos de leveza, precisamos sorrir de algum modo.

 

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Antonio Saboia e Pedro Fasanaro em Deserto Particular (Foto: Pandora Filmes)

 

Na disputa para ser representante do Brasil ao Oscar, o filme competiu com títulos de peso como “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, “Doutor Gama”, de Jeferson De e “A Nuvem Rosa”, de Iuli Gerbase; 14 concorrentes no total.

Protagonizado por Antonio Saboia (“Bacurau”), segue Daniel, um policial afastado do trabalho depois de cometer um erro. Ele mora em Curitiba, com um pai doente, de quem cuida com devoção. Taciturno, Daniel fala pouco e sorri menos ainda. Seu único motivo de alegria é Sara, uma moça misteriosa que mora no sertão da Bahia, e com quem se corresponde por aplicativo de celular. O desaparecimento súbito de Sara faz com que Daniel resolva cruzar o país para procurá-la.

Muritiba é autor de uma premiada filmografia que inclui títulos como “Jesus Kid”, exibido em Gramado 2021, onde ganhou o Kikito de melhor diretor; “Para Minha Amada Morta”, vencedor de sete candangos em Brasília, além de ter sido selecionado para o Festival de San Sebastian; e “Ferrugem’, que foi o melhor filme do festival gaúcho e teve estreia mundial em Sundance.

A lista dos títulos selecionados para as categorias do Oscar – incluindo a de filme internacional – será divulgada em 08 de fevereiro de 2022.

O Brasil já concorreu outras vezes, uma das mais celebradas com “Central do Brasil”, de Walter Salles, em 1998. No ano passado foi indicado na categoria de melhor documentário com “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, de Bárbara Paz, mas não entrou na lista final.

“Deserto Particular” tem potencial para concorrer à ambicionada estatueta da Academia e levar muitos espectadores ao cinema em sua estreia agora no circuito brasileiro. É um filme delicado, com atuações intensas, que fala do amor impossível, a procura de afeto, a incessante busca do protagonista para se reconectar com suas emoções, tudo isso tendo como pano de fundo um pouco de suspense e um inusitado road movie.

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, o diretor, baiano de Mairi, falou sobre a importância da indicação para o Oscar, a trajetória do filme e a estreia nos cinemas.

JORNAL DO BRASIL: Como recebeu e o que significa essa notícia tão importante para representar o Brasil na indicação ao Oscar?

MURITIBA: É uma grande honra e responsabilidade representar nosso cinema na maior premiação de cinema do mundo. Eu recebi essa notícia com algum espanto e surpresa, pois todos apostavam num outro filme, mas agora que fomos os escolhidos estamos trabalhando muito para levá-lo adiante na corrida do Oscar.

Veneza, Thessaloniki, São Paulo e agora, a trajetória rumo ao Oscar. Você tinha expectativa desse sucesso todo para “Deserto Particular”?

Eu sabia que tinha feito um filme bonito, tocante. Inferia que o público se emocionaria com a trajetória de amor dos personagens, mas nem de longe imaginei que o filme seria ovacionado em Veneza ou que estaria na corrida do Oscar. Acho que essa linda trajetória que “Deserto Particular” está fazendo é o reflexo do amor que o filme emana”.

– E agora o filme vai encontrar os espectadores em salas de cinema. Qual receptividade espera do público? (ele que em Veneza deu ao filme um dos mais importantes prêmios que um cineasta pode almejar).

“Eu torço para que as pessoas venham ao cinema. Depois de dois anos em casa, voltar ao cinema e assistir, junto com outras pessoas, um filme como “Deserto Particular” será um deleite. E torço para que as pessoas vivam essa experiência”.

 



Diretor Aly Muritiba
Antonio Saboia e Pedro Fasanaro em Deserto Particular


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