Crítica - ‘Anônimo’: pancadaria de primeira

Cotação: quatro estrelas

Foto: divulgação
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Todo dia ele faz tudo sempre igual: acorda, faz café, joga o lixo fora, beija os filhos, dá tchau pra esposa e vai para o seu emprego miserável. Nada muda. Um tédio mortal e absoluto. Até que, um dia, invadem sua casa e põem sua família em risco. O que ele faz? Nada! Daí, passa a ser tratado com desdém pelo filho e esposa. E sacaneado pelo vizinho mané.

A vida de Hutch Mansell (Bob Odenkirk, o Saul de “Breaking bad’/’Better call Saul”) é assim: uma tristeza só. Acontece que, na encolha, ele resolve rastrear os ladrões que invadiram a sua casa (porque levaram algo de sua filhinha). Assim, vamos percebendo que Hutch não é o pobre diabo que aparenta ser. Aos poucos, uma faceta perigosa e misteriosa se desvenda. Ele tem um passado. Que volta à tona por puro acaso, quando, ao retornar para casa, o ônibus em que estava é invadido por arruaceiros que incomodam uma mocinha. Mansell dá um trato neles (numa cena es-pe-ta-cu-lar!), e acaba com a máfia russa em seu encalço. Um dos vândalos era irmão de poderoso lorde das drogas. Os problemas de Hutch apenas começaram.

Com violência gráfica e estilizada, cenas de luta empolgantes e uma dedicação total de Odenkirk ao papel (algo franzino e já na meia idade, ele treinou duro por seis meses para realizar seus formidáveis stunts), “Anônimo” (“Nobody”) é diversão de tirar o fôlego. Criado e dirigido por Ilya Naishuller, um dos nomes por trás da ótima série “John Wick” (que deu novo fôlego para a carreira de Keanu Reeves em três filmes, com um quarto já a caminho), ele tem tudo o que você precisa para passar hora e meia na sala de cinema e esquecer do mundo. É entretenimento puro, sem papo furado.

Um filme tão simples e tão empolgante certamente terá continuação. Até pra gente saber mais do passado de Hutch, de seu pai (feito por Christopher Lloyd, o Doc de “De volta para o futuro”) e seu irmão de criação, Harry (o rapper RZA). Quem são? De onde vêm? O que será que treinou Hutch tão bem para que ele saia por aí batendo, quebrando e matando facínoras com técnica? E, também, para que a gente tenha mais tempo de Connie Nielsen (“Gladiador”), um pouco apagada como a esposa. Ela sabe do passado do marido. E deve ter coisas para revelar.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.