‘Marighella’ ganha elogios do ‘The New York Times’

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“Marighella”, estreia na direção do ator Wagner Moura, voltou às manchetes na última quinta feira com a matéria publicada no “The New York Times” sobre o filme.

No texto assinado por Devika Girish, conceituada crítica do jornal norte-americano, do Film Coment e do The British Film Institute, entre outros, ela diz que “Marighella” não é apenas um filme biográfico histórico.

“É uma provocação. E também fascinante”, atesta Girish, que o compara à “Batalha de Argel”, do italiano Gillo Pontecorvo (1966), épico ambientado na década de 1950 sobre a luta do povo argelino pela independência do governo francês.

Ainda não lançado no Brasil, “Marighella” teve première mundial em 2019 na mostra oficial, fora de competição, da 69ª edição do Festival de Berlim, onde Wagner já tinha estado como ator em três filmes: “Tropa de Elite” (2008), de José Padilha, com o seu retrato do Capitão Nascimento e que saiu de lá com o Urso de Ouro; “Tropa de Elite 2” (2011) e “Praia do Futuro” (2014) de Karim Aïnouz que também esteve na Mostra oficial.

Com locações na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, o filme de Wagner é uma cinebiografia sobre o guerrilheiro baiano Carlos Marighella (1911-1969), que lutou contra a ditadura militar. Morto numa emboscada em 1969, Marighella criou o grupo de guerrilha urbana ALN (Ação Libertadora Nacional), comandou greves e foi detido por escrever poemas políticos.

Moura e Felipe Braga escreveram o roteiro a partir da biografia do jornalista Mario Magalhães (“O Guerrilheiro que incendiou o Mundo”, Companhia das Letras, 2012)

Seu Jorge – que interpreta Marighella – lidera o elenco que conta ainda com Adriana Esteves, Bruno Gagliasso e Humberto Carrão.

Na coletiva que se seguiu à sessão prévia para a imprensa na Berlinale, Moura – que foi recebido com aplausos para ele e sua equipe – contou na ocasião que há tempos tinha o desejo de levar a história do seu conterrâneo ao cinema, mas ressalva que “Marighella” não é um apenas sobre os anos 60, é também sobre o agora.

“E não é um documentário ou sobre caras bons contra caras maus. É um filme sobre a história do meu país”, complementou, ressalvando que não se considera propriamente um diretor.

“Sou um ator que fez um filme, mas certamente quero repetir a experiência algum dia. Essa parte de estar no set, trabalhar o roteiro, definir a linguagem e inspirar as pessoas a ver o mesmo que você etc. foi desafiador”, revelou.

Seu Jorge – que tem uma das atuações mais marcantes de sua carreira – ressaltou que “Marighella” é um filme que fala da luta pela liberdade e pelo progresso e das lutas em geral do povo brasileiro marcado pela superação.

“Fiquei muito orgulhoso de ter feito o filme. Me preparei muito, li o livro que foi escrito sobre ele e outros. O desafio de recontar esta parte da história do Brasil significou muito para mim”, afirmou o ator, que também integrou o elenco de “Tropa de Elite 2”, mostrado na Berlinale.

“Marighella” tem previsão de lançamento no Brasil em novembro de 2021, após uma trajetória por importantes festivais: além de Berlim, já foi exibido em Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo, entre outros.