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Zambelli copia propaganda nazista ao comparar palestinos a ratos e deveria ser cassada

Na Segunda Guerra, durante o holocausto, ratos foram empregados sistematicamente por aqueles que queriam retratar seus alvos como algo a ser exterminado

Por GABRIEL MANSUR
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Publicado em 03/11/2023 às 11:06

Alterado em 03/11/2023 às 18:22

Carla Zambelli costumava andar armada, mas o STF mandou recolher seus trabucos Reprodução de vídeo

Entre as muitas representações do povo judeu como ratos promovidas pelo Nazismo, destaca-se o documentário "O judeu eterno", de 1940. O filme registra o cotidiano no gueto de Lodz, na Polônia ocupada, de maneira a convencer o espectador que os judeus são responsáveis por todas as desgraças do mundo, uma sub-raça de parasitas e trapaceiros que merece ser exterminada da face da Terra.

O holocausto foi algo tão pavororo que, quase 70 anos depois, ainda nos perguntamos: como que ganhou tantos adeptos? Enfim… Pois nesta quinta-feira (2), a máquina de propaganda nazista de Adolf Hitler foi copiada para desumanizar um outro povo oprimido racial, social e economicamente ao longo das últimas sete décadas: os palestinos.

Em uma postagem em suas redes sociais, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que já perseguiu um homem negro com uma pistola em punho e se aliou a um hacker para sabotar a democracia brasileira - e nem assim foi cassada ou presa -, publicou uma imagem de um rato com a bandeira palestina sendo caçado por uma águia com as flâmulas de Israel e dos Estados Unidos. Ao fundo, prédios de Gaza em chamas. Como legenda, usou um versículo da Bíblia.

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão. Isaías 40:31”, escreveu a “cristã”, que recentemente assinou um pedido para dar urgência ao repugnante Estatuto do Nascituro, por ser “a favor da vida”, mas hipocritamente defende o genocídio de mais de um milhão de CRIANÇAS inocentes que vivem na Faixa de Gaza.

Zambelli sabe muito bem o que faz. Ao compartilhar a publicação em seu instagram, que tem mais de 3,3 milhões de seguidores tão fascistas quanto ela, repassou a ideia da desumanização. Ratos foram empregados sistematicamente por aqueles que queriam retratar seus alvos como algo a ser exterminado na maior parte do século 20, mas sem dúvida as imagens mais bizarras foram produzidas na década de 1930 para representar os judeus na antessala da guerra.

O "Der Sturmer", jornal de propaganda da Alemanha hitlerista, trouxe uma imagem de capa com um nazista envenenando ratos que representavam judeus. Na legenda, afirmava que quando os vermes morressem, a Alemanha floresceria mais uma vez.

A postagem de Zambelli, por óbvio, revoltou os palestinos. Mas não só eles, como o povo árabe e até mesmo os judeus por ressuscitar uma das piores práticas da propaganda ideológica. Isso não acaba com guerras, pelo contrário, as semeia. A parlamentar, portanto, foi acusada de incentivar o genocídio.

Comunidade árabe repudia

O perfil da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) foi um um dos primeiro a se manifestar contra a “propaganda sionista”, como descreve.

“Vimos o comentário de Carla Zambelli. Não vamos reproduzi-lo aqui. Estamos cansados do racismo e discurso de ódio contra os palestinos. A comparação dos palestinos com ratos é repugnante, lembrando uma estética nazista, embora seja claramente propaganda sionista”, afirmou a Fepal.

Além disso, o perfil Palestina Hoy (Palestina Hoje) nas redes sociais acusou a deputada de ser “cúmplice do genocídio” na Faixa de Gaza.

Internautas também estão exigindo a revogação do mandato da parlamentar, que se tornou ré após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Espero que seja cassada, presa, e pague uma bela de uma multa. Sebosa. Ela fede!”, escreveu um internauta.

“Na opinião da Carla Zambelli, mais de 3 mil crianças assassinadas são ratos. Aliás, comparar seres humanos a ratos foi exatamente o que aconteceu no Holocausto contra os judeus, o que justificava a perseguição dos alemães a eles. Zambelli precisa ser cassada!”, disse outro.

Outro perfil também reagiu à postagem da deputada. “Ser religioso não te faz uma boa pessoa. Mas, ser religioso pode te cegar e te tornar a pior das pessoas. Aqui temos Carla Zambelli usando a Bíblia para chamar os Palestinos de Ratos e defender um Genocidio. Carla Zambelli é um monstro que usa a religião para disseminar ódio”, diz.

Carta branca para matar

Enquanto Zambelli propaga o ódio e prega o morticínio de um povo que sequer tem um Exército para lhe defender, o número de mortos em Gaza chegou a 9.601, sendo 3.760 crianças. Estes números já superam proporcionalmente às perdas em Grózny, na Chechênia, que já foi considerada a cidade mais destruída do planeta.

Durante a segunda guerra da Chechênia, em 1999 e 2000, de 5 a 8 mil civis morreram no cerco que levou à conquista da cidade pela Rússia, que batalhava contra rebeldes chechenos. Os combates duraram pouco mais de um mês.

Na batalha por Mariupol, Ucrânia, em 2022, as Nações Unidas registraram 1.348 civis mortos, mas estimaram que o número poderia ser muito maior (a Ucrânia fala em 25 mil). O cerco da Rússia à cidade durou quase três meses.

Na segunda batalha por Fallujah, no Iraque, em 2004, que durou seis meses, a Cruz Vermelha estima que 800 civis tenham sido mortos.

Na batalha por Mosul, também no Iraque, que durou mais de 9 meses, as estimativas de civis mortos variam de 2.521 (Nações Unidas) a 40 mil.

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