Movimento 'Black Lives Matter' abre Semana de Moda de Milão

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Foto: reprodução/Instagram
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Pela primeira vez na história da moda italiana, estilistas negros abriram a Semana de Moda de Milão, com a segunda edição do evento "The Fab Fiver -We are Made in Italy", projeto digital que trabalha em prol da inclusão e da diversidade neste setor na Itália.

Os cinco estilistas fazem parte do grupo Black Lives Matter in Italian Fashion (Vidas negras importam na moda italiana, em tradução livre), nome inspirado no movimento internacional que lidera protestos contra a injustiça racial.

O primeiro dia da edição virtual da Semana de Milão contou com desfiles de Claudia Gisèle Ntsama, da Frida Kiza, marca criada por Fabiola Manirakiza, das criações do senegalês Mokodu Fall, do marroquino Karim Daoudi e de Joy Meribe, nascida na Nigéria.

O coletivo foi fundado pelos estilistas Michelle Ngonmo, Stella Jean e Edward Buchanan, além do presidente da Câmara Nacional de Moda Italiana, Carlo Capasa, e de outros sete profissionais do mundo das excelências negras italianas que atuam em diversos setores, da moda ao jornalismo.

A iniciativa tem como objetivo "quebrar todas as formas de discriminação e trabalhar pela construção de um sistema multicultural competitivo".

"Não estamos em pé de guerra, queremos produzir mudanças reais no sistema. Estou no jogo há mais de 25 anos, a Itália é minha casa e um lugar especial para mim, mas no final o que acontece é que as pessoas postam um quadrado preto no Instagram e apoiam os Estados Unidos sem olhar para casa e entender o que acontece aqui. Como você pode falar sobre diversidade olhando para o exterior se você não tem diversidade em casa?", afirmou Buchanan.

O movimento Black Lives Matter ("Vidas Negras Importam") nasceu nos Estados Unidos após o americano George Floyd ser sufocado por um policial branco até a morte em Minneapolis, em maio de 2020. O caso gerou indignação e uma onda de protestos em todo o mundo.

A Semana de Moda de Milão acontece até o próximo dia 1º de março em formato virtual devido à pandemia do novo coronavírus Sars-CoV-2. (com agência Ansa)